a minha doença é ser português. bipolaridade prática, alguém diria: estar justamente arrumado nesse espaço entre a tristeza e a alegria. das manhãs de sol e a melancolia da chuva, assentamos nos dias como uma luva. gostamos de mar tanto como de terra. e onde haja vida a nossa palavra é a que mais ferra. no fundo só sabemos ser. pois se uns escrevem, outros têm de ler.
a minha doença é existir. autisticamente sensível às coisas que habitamos mas não cabem dentro de nós. até concordamos mas todos sabemos estar sós. e o que no medo há que nos estremece, só o sabe quem dele padece.
porém, falo de mim. este texto não vos pertence.
as saudades de alguém que me peça para ficar: esquecidas. tenho a vida pela garganta (mas já matei suicidas) e ausento-me em hipnoplastias e catarses. sem saber o que fazer enquanto me ardes.
pensar:
é sempre a perder, algures num beijo. depois que tudo principia. manipulamos as sombras e alguém se arrepia.
a minha doença é a cura. desdita. veneno de fados e rock à mistura. acredita. tenho alma de marinheiro com catarro e sangue de camponês. alguém me arranja um cigarro. outra vez? tenho sempre um maço no carro, pena não ser português.


1 comments:
somos quem dizemos?
dizemos quem somos?
diremos nada por entretanto do pouco que sendo escrevemos...
Baci*
Post a Comment