a vida é uma sucessão de histórias interrompidas. um desdobrar de coisas que nunca chegaram a ser. uma contínua e inquietante pronúncia de “e se’s…” que se apegam à memória dos acontecimentos simples. amores perdidos, palavras que ficaram por dizer, gestos que se acanharam na hora certa, passos errados na estrada. todos eles dizem agora a grandeza do que somos. ainda que o que tenhamos seja nada. porque o que somos nunca é o que queríamos ser. e o que queríamos ser é perpétuo. alma gémea do corpo que o espelho reflecte e o nome rotula sem que o possamos compreender.
tantas vezes me disseste tu, que não conheço e nem me conheces, que já não sei mais o que posso ser ou sonhar pretender. todos os meus pensamentos foram vendidos, expostos ao mundo e deixaram de ser meus. e do que fica nada resta. nem mesmo a alegria de algo que partiu porque tinha de ser.


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