Sunday, June 20, 2010

numa expurgação de lágrimas embalada por um movimento perpétuo. o tempo desta carência aproxima-nos. em afastamentos distanciais diversos que tomam agora os nossos ossos. e ainda que as palavras te esgotem: todos os corpos se afeiçoam. 
porque hoje, o vazio nada é mais do que este silêncio branco circunscrito por palavras. espaço onde a dor encontra a sua morada e se dilui rarefeita. espasmos de tinta debruçados para o abismo que habita as fissuras das entrelinhas.
mais do que dizemos importa tudo o que calamos. simplesmente porque permanece nosso. embora pressinta no ar a urgência de descobrir o que é urgente.
seguro a caneta com a gravidade trémula de quem hesita pensar. quero-me tanto de todas as maneiras que receio nunca chegar a ser. e assim a vida decorre num inacabado suicídio. que leva à morte de coisas belas. somente por serem belas. ou à colecção de coisas inúteis. objectos pueris. matérias imperfeitas.
agora que nunca houve poesia. uma respiração lenta paira sobre o sentir do tacto. o sentir de outras noites até este infinito. 
como uma película aderente de sono sobre a realidade o mundo tem a forma das minhas mãos e o tamanho do meu pensamento e eu. de novo voltarei a caber dentro dele até perecer.

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