Saturday, May 22, 2010

e como posso ser eu algo que se veja

se no fundo de mim apenas sobrou a inveja

de não ter nascido no tempo de outras lutas

mais cedo que todas estas poesias brutas

e combatido a fome de um ego sedento de tudo

até ficar cego de um luto mudo.

como posso eu ser a metáfora, a hipérbole ou qualquer expressão

se a vida continua o seu rumo mas já não enche o coração.

...

já nada tenho para te dar.

a realidade é uma fotografia do nada. uma abstracção.

e para onde quer que guie o olhar

aquilo que vejo contém o trago da ilusão.

2 comments:

Gravepisser said...

Um regresso em grande, como não podia deixar de ser.

Como sempre, não há palavras: as tuas dizem sempre tudo.

Abraço

António João Mito said...

Não sei se é bem um regresso.. cada vez sinto menos vontade de escrever. Como sempre, atento a este meu canto. Obrigado pelas palavras.
Abraço