Primeiro foi o desejo (porque é sempre dele que tudo nasce). Inconsciente e profundo. O silêncio que acompanha os lábios. E horas desprovidas de tempo. Os dedos cambaleantes pelas cordas da guitarra perseguindo o caos numa desordem electrizante de dias. E o abandono do mundo.
Da catarse resta-nos a pele aderente à alma que não é a mesma do princípio. Desde que a porta se fechou para trás e nos perdemos na procura de nós próprios. Nada ousamos senão a descoberta dos abismos. Em mergulhos de fuga ao cair da noite.
Fixamos os olhares para ver de perto, palavras que nos repetem sem serem as nossas. E a viagem começa. Na lentidão dos passos que não avistam destino mas antes o que a passagem detém. Vampiros da ambição ingénua da diferença. Letárgicos trovadores de essências. Assassinos do conformismo e da usura. Nós somos o livro que devemos ter como leitura de cabeceira. Até a loucura nos entorpecer as vozes.
Porque da infância talvez ainda resistam lugares que ditem o batimento cardíaco. Átomos esquecidos entre a colisão dos olhares. Ou a matéria lasciva dos corpos.
Agora em mudos gritos se faz auscultar o que somos. Em fragmentos de sonora abstracção física.
A vida jamais foi o que era.
Aqui nos imortalizamos inacabados diante a paisagem de sons que ausentes de nós permanecem.
Da catarse resta-nos a pele aderente à alma que não é a mesma do princípio. Desde que a porta se fechou para trás e nos perdemos na procura de nós próprios. Nada ousamos senão a descoberta dos abismos. Em mergulhos de fuga ao cair da noite.
Fixamos os olhares para ver de perto, palavras que nos repetem sem serem as nossas. E a viagem começa. Na lentidão dos passos que não avistam destino mas antes o que a passagem detém. Vampiros da ambição ingénua da diferença. Letárgicos trovadores de essências. Assassinos do conformismo e da usura. Nós somos o livro que devemos ter como leitura de cabeceira. Até a loucura nos entorpecer as vozes.
Porque da infância talvez ainda resistam lugares que ditem o batimento cardíaco. Átomos esquecidos entre a colisão dos olhares. Ou a matéria lasciva dos corpos.
Agora em mudos gritos se faz auscultar o que somos. Em fragmentos de sonora abstracção física.
A vida jamais foi o que era.
Aqui nos imortalizamos inacabados diante a paisagem de sons que ausentes de nós permanecem.


2 comments:
Bom...
Após mais um ensaio sobre a perfeição da escrita (que tardava em chegar), a um nível por mim nunca visto, para mais num formato virtual como este, pouco resta a comentar... Apenas o desejo uma vez mais vincado, de um dia ter nas minhas mãos, uma publicação da autoria do senhor António João Mito, autor dos únicos textos em forma de "decretos de utopia" que algum dia me aprouveram ler.
Está tudo dito, meu caro.
Mais, se faz favor...
(E sim, eu sei que as coisas não "saem" a pedido, mas...)...
Abraço
..A vida jamais foi o que era...e provavelmente nunca será o que é....
Bom este teu regresso ao mundo... ao mundo de confusas incompreensões...
Abraço
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