tacteio a materialidade das formas que povoam este quarto
para compreender cada objecto.
a persiana corrida prolongando o desejo da noite e os poemas
escritos pela insónia.
a cama tépida
de um corpo que insiste em permanecer.
deambulo neste sonho onde as palavras não existem
e as pedras esperam. animadas por quem passa
e às vezes as olha. homens que desconhecem o seu próprio nome.
nómadas errantes da face escura das suas madrugadas.
a dialogar com as sombras. sem se deterem à beira da estrada.
sôfregos de fim.
e eu já não espero.
acompanhar o tempo à velocidade de horas desprovidas de vida.
regresso a mim como quem se ama. quero adormecer apenas.
para não acordar. sem sequer saber o que é a morte.
Tuesday, April 15, 2008
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4 comments:
Let's hope you don't stay in the darkness long enough to become blind. Bacause somebody will eventualy knock you door, one day, holding the flashlight that will save you from madness. And, I assure you, you'll want to see that face. You'll know why, at it's time.
Abraço
Cumplicidade nos sentires parecidos... é estranha a sensação de lermos os outros e ouvirmo-nos a nós mesmos....
falta-nos dormir, a todos. Falta-nos pôr de lado o mundo - a vida, a morte - e sermos as sombras das nossas próprias palavras. O abstracto da existência.
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