não direi fazer parte de uma geração, pois já não nos partilhamos como outrora. estamos na verdade cada vez mais interessados em sobreviver e a sobrevivência, essa, tem-se tornado em verdade absoluta no centro do imprevisto de unicamente existir. cada vez mais difícil. a sobrevivência representa-nos enquanto ocupamos as nossas mentes no processo do aprimoramento social, tentando convencer-nos a nós próprios que seremos a fina casta do futuro. que aquele que mais próximo de nós se ergue será o primeiro a cair a nosso lado. mas estou farto da vida pela vida. ou da existência pela existência. esgotado de procurar razões para justificar a ansiedade da minha grandeza. esgotado de pretender alcançar a impossibilidade da perfeição. e não me importa o quanto faça, o sonho morrerá no sufoco do seu respiro embrionário. (estamos definitivamente em queda, custa-me apenas sabê-lo quanto).
que faremos nós se acaso não fizermos a diferença?
amanhã, nem mesmo depois será um dia para poesia… existiremos. nestes desabafos para acreditar que vivemos. apenas. por fim. e não para sempre.
que faremos nós se acaso não fizermos a diferença?
amanhã, nem mesmo depois será um dia para poesia… existiremos. nestes desabafos para acreditar que vivemos. apenas. por fim. e não para sempre.


2 comments:
Estás tremendamente correcto. O cenário é, de facto, aterrador. Não somos nada, de facto, ainda que a nossa geração seja porventura a última que pendeu para o lado certo da balança, tendo em conta aquilo que se vê hoje em dia, somos impotentes perante a sociedade medíocre que teima em crescer à nossa volta... Pseudo-adolescentes que não têm nada na cabeça, pelo menos nesta região onde habito, os interesses são ridículos e já não se aprecia uma boa música, um bom livro ou até uma boa conversa. E a inteligência, faz recordar aquela publicidade estúpida de uma qualquer instituição bancária portuguesa, "o que é o Dow Jones?" r: "é um actor americano de filmes de acção"... Enfim.
Porém, e enquanto a alma não for pequena, valerá sempre a pena lutar, quanto mais não seja, para que jamais nos sintamos vulgares, para que ao menos tenhamos na escrita, ou em qualquer outra coisa que saibamos fazer bem, a escapatória para a frustração que os dias iguais teimam em infligir-nos.
Abraço
Um dia alguém me disse que eu era diferente. Viver a diferença é uma aventura... daquelas aventuras que trazem sofrimento... e depois? que vai ser de nós no fim de tudo, para além de miseráveis arrependidos dos trilhos calcorreados, quando ao lado talvez estivesse pousado o melhor caminho, sem pedras a ferirem os passos decididos? Mas afinal onde está a nossa clarividência interior, a força de sermos diferentes, sendo afinal tão iguais a nós mesmos?
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