enquanto o gelo não nos quebra os ossos
gastamos no ar sorrisos que não os nossos.
se és tu quem me olha por dentro
ensina-me a razão do descontentamento
mostra-me a luz de uma descoberta
ainda que a rota seja incerta.
enquanto a noite se despe de si
tu sabes que estrelas vieram por ti.
se és tu quem me diz mesmo não dizendo nada
não esperes por mim sentada à chegada
quero antes te ver entre o agora e o depois
sem nenhum de nós saber o que será dos dois.
um dia no qual seremos sem demora
o que havemos guardado em nós até ao fim
não compensa a espera impaciente de agora
e a alma que vai não espera por mim.
corre o dia em desvario ardendo num pavio
e antes que a morte fique para ver
já o amor é o desvio que não impede de doer.